Ptolomeu IV: Ex-governador Gladson Camelí é alvo de operação no Acre
22/09/2026
(Foto: Reprodução) Ex-governador do Acre Gladson Camelí é alvo de operação da PF, em Rio Branco
O ex-governador do Acre e candidato ao Senado pelo Progressistas, Gladson Camelí, foi alvo de uma operação na manhã desta terça-feira (22), em Rio Branco. O celular dele e três veículos foram apreendidos pelos agentes no condomínio Recanto Verde, onde Camelí mora. (Assista ao vídeo acima)
A ação faz parte da Operação Ptolomeu IV, nova etapa das investigações que apuram suspeitas de desvios de recursos públicos, lavagem de dinheiro e outras irregularidades envolvendo contratos no Acre. A operação foi deflagrada pela Polícia Federal (PF) em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU).
📲 Participe do canal do g1 AC no WhatsApp
Em nota, a defesa do político disse que colabora com os procedimentos adotados. Contudo, considera que as medidas são abusivas às vésperas das eleições. (Leia na íntegra no final da reportagem)
"Mais uma vez, tanto o candidato quanto sua assessoria jurídica se colocaram a disposição da Justiça, no intuito de colaborar com os esclarecimentos pela certeza de inocência", destacou a nota, assinada pelo advogado Erick Venâncio.
Gladson Camelí é alvo de operação da PF em Rio Branco nesta terça-feira (22)
Aline Nascimento/g1
LEIA TAMBÉM:
Gladson Camelí (PP) tem candidatura barrada pelo TRE-AC; defesa diz que vai recorrer
Gladson Camelí é condenado pelo STJ a mais de 25 anos de prisão
Além de Camelí, outros alvos tiveram mandados cumpridos. Ao todo, são 28 ordens de busca e apreensão em Rio Branco e Cruzeiro do Sul, no interior do Acre, além das cidades de Maringá (PR) e Navegantes (SC). As medidas foram autorizadas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
O g1 e a Rede Amazônica Acre teve acesso à lista dos investigados, sendo que um deles é o vereador de Rio Branco Moacir Júnior, que informou em nota que o mandado de busca não diz o conteúdo da investigação. (Confira a LISTA e os demais detalhes mais abaixo)
A Ptolomeu IV tem como uma das frentes a investigação sobre a construção da nova sede do Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac). O governo informou, por meio de nota, que colabora 'com as autoridades responsáveis, prestando informações e disponibilizando documentos que lhe são formalmente solicitados'. (Leia a nota completa no final do texto)
PF deflagrou as operações Ptolomeu IV e Umbra nesta terça-feira (22)
Arquivo/PF-AC
Investigações
Segundo a PF, uma auditoria da CGU identificou indícios de que cerca de R$ 1,2 milhão em serviços foram pagos, mas não teriam sido executados integralmente. A suspeita é de superfaturamento por serviços não realizados.
A investigação também aponta indícios de que dinheiro proveniente de contratos públicos teria sido usado para despesas particulares e para o pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos.
Outra parte da investigação envolve a empresa que foi contratada posteriormente para concluir a obra.
"Os indícios reunidos indicam possível sucessão empresarial e continuidade das práticas ilícitas investigadas, inclusive com vínculos entre pessoas relacionadas à nova contratada e empresas anteriormente investigadas no âmbito da Operação Ptolomeu", complementou.
PF cumpre mandados de busca e apreensão na casa do ex-governador do Acre, Gladson Camelí, na manhã desta terça-feira (22) em Rio Branco
Amanda Oliveira/Rede Amazônica
Operação Umbra
Além da Ptolomeu IV, a PF deflagrou nesta terça a Operação Umbra, também baseada em informações obtidas durante as investigações anteriores.
Segundo a Polícia Federal, foi identificada uma estrutura que teria como objetivo obter informações sobre operações policiais, incluindo movimentação de equipes e viaturas. A suspeita é de que os dados fossem usados para antecipar ações da PF e dificultar o cumprimento de medidas judiciais.
A investigação também apura o possível envolvimento de um ex-servidor terceirizado e de um agente da própria Polícia Federal no repasse de informações sobre operações.
PF deflagrou as operações Ptolomeu IV e Umbra nesta terça-feira (22)
Arquivo/PF-AC
"Foram apreendidos valores em espécie com alguns dos investigados, estimados, até o momento, em cerca de R$ 1 milhão. Além disso, três dos suspeitos acabaram presos em flagrante delito por posse ilegal de armas de fogo", disse a PF.
A Justiça determinou ainda o confisco de bens e valores dos investigados e impôs medidas cautelares, como afastamento de funções públicas, proibição de contato entre alguns investigados e restrições para deixar a comarca e o país.
"Os suspeitos poderão responder, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de organização criminosa, fraude em licitação, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e embaraço à investigação de infração penal envolvendo organização criminosa, sem prejuízo de outros delitos eventualmente identificados no decorrer das apurações", finalizou.
Moacir Júnior, vereador de Rio Branco, é um dos investigados em operação da PF deflagrada nesta terça (22)
Arquivo/Câmara de Vereadores de Rio Branco
🚨 Veja a lista dos investigados no âmbito das operações Ptolomeu IV e Umbra:
Gladson Cameli (ex-governador do Acre; emitiu nota)
Moacir Pereira dos Santos Júnior (vereador de Rio Branco; emitiu nota dizendo que a PF esteve na casa dele pela manhã, onde recolherem os dispositivos eletrônicos e olharam a casa dele)
Taiane Belarmino dos Santos (candidata e irmã de Moacir)
Tamires de Almeida Costa (esposa do Moacir)
João Victor Casas Lopes (envolvido no acidente que matou três pessoas em Tarauacá; ele já está preso devido ao acidente)
Leia na íntegra a nota do ex-governador Gladson Camelí
Causa estranheza que, às vésperas do processo eleitoral, seja deflagrada uma operação na qual alguns influenciadores, blogs e sites de militantes a serviço de adversários tiveram informações e acesso antecipado para noticiar de forma sensacionalista e pejorativa com o claro interesse de atingir e prejudicar a imagem da candidatura de Gladson Camelí, sem que ele ou seus advogados sequer tivessem acesso às razões da diligência.
Mais uma vez, tanto o candidato quanto sua assessoria jurídica se colocaram a disposição da Justiça, no intuito de colaborar com os esclarecimentos pela certeza de inocência. É fundamental destacar que, conforme já decidido pelo Supremo Tribunal Federal, a alta corte do país, as provas do processo que acusa Gladson Camelí foram comprovadamente produzidas de forma ilegal.
Ainda assim, continuam as medidas que consideramos abusivas e de clara perseguição com o intuito de influenciar o resultado eleitoral. Prova disso é o descumprimento de uma decisão do Supremo Tribunal Federal da ADPF 1017 que proíbe nos 15 dias que antecedem a eleição esse tipo de medida cautelar contra candidatos a cargos majoritários. A lei deveria servir para todos com a missão de proteger, não para perseguir e intimidar.
Confiamos na Justiça. Mas acima de tudo, confiamos em Deus e na sabedoria do eleitor acreano que está atento ao uso eleitoreiro das nossas instituições para perseguir e tentar influenciar o resultado das eleições.
Erick Venâncio
Assessoria Jurídica
Leia na íntegra a nota do vereador Moacir Júnior
No mandado de busca, não diz o conteúdo da investigação. Meu advogado também não teve acesso ainda sobre as possíveis causas.
Reitero que não tenho ligações de contrato, negócios e nunca fui servidor do estado. Nunca fui lotado em nenhuma secretaria e nem fui ordenador de nenhuma despesa. Ainda desconheço as causas que possam me ligar a uma operação voltada a supostos desvios de verba pública no âmbito estadual.
Mas acredito que tudo vai ser esclarecido o mais breve possível. Acredito na Justiça.
Leia na íntegra a nota do Imac
O governo do Estado, por meio do Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac), em relação às diligências realizadas pela Polícia Federal nesta terça-feira, 22, esclarece que vem colaborando com as autoridades responsáveis, prestando informações e disponibilizando documentos que lhe são formalmente solicitados.
No que se refere à documentação relacionada à construção da nova sede da autarquia, o Imac informa que os documentos requisitados já haviam sido encaminhados aos órgãos competentes e que, durante a diligência realizada nesta data, foram novamente disponibilizados e todas as informações solicitadas repassadas à autoridade policial.
O Instituto ressalta que as investigações encontram-se sob responsabilidade das autoridades competentes e que continuará prestando toda a colaboração necessária para o regular esclarecimento dos fatos, respeitados os limites legais e eventual sigilo das apurações.
O Imac reafirma seu compromisso institucional com a legalidade, a transparência e a colaboração com os órgãos de controle e de investigação.
André Hassem
Presidente do Instituto de Meio Ambiente do Acre
VÍDEOS: g1